/ Proprietários

Preços de imóveis vão ter mais um ano de queda real

Os preços de imóveis devem apresentar, em 2017, queda real em comparação à inflação. Será o terceiro ano consecutivo em que a alta dos valores ficará inferior à da inflação, segundo o presidente do Zap, Eduardo Schaeffer. Há expectativa de que isso ocorra até o terceiro trimestre. Para os três últimos meses do ano, todavia, espera-se que os lançamentos voltem a crescer e os preços sigam a inflação, mas isso não será suficiente para reverter a tendência.

No ano passado, o preço médio por metro quadrado dos imóveis anunciados para venda em 20 cidades teve elevação de 0,57%, para R$ 7.662, conforme o Índice FipeZap, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe) em parceria com o Zap. Considerando-se a expectativa de inflação de 6,4% do Boletim Focus do Banco Central para o acumulado do ano para o acumulado do ano passado, houve queda real de 5,48 pontos percentuais. “Acredito que não víamos um ajuste desta magnitude em quase duas décadas”, afirma o economista da Fipe, Eduardo Zylberstajn.

O economista ressalta, porém, que a liquidez das operações no mercado imobiliário foi reduzida em proporção bem maior do que os preços. “Foi um ano em que o mercado secou”, observa Zylberstajn. No mercado de imóveis usados, vendedores que não tinham necessidade imediata dos recursos preferiram aguardar preços melhores, enquanto potenciais compradores postergaram a decisão, devido à piora da confiança e de mais dificuldades para obter crédito. “O número de consultas aumentou, mas há uma demanda represada”, diz Schaeffer, do Zap.

Em 2016, quatro das 20 cidades que compõem o Índice FipeZap tiveram reduções nominais de preços: Rio de Janeiro (2,08%), Distrito Federal (1,15%), Niterói (1,76%) e Goiânia (2,67%). As demais tiveram queda real.

Em dezembro, a média dos preços dos imóveis anunciados teve alta de 0,13%, abaixo da inflação esperada para o mês de 0,41%, segundo o Índice FipeZap. Apenas a variação dos preços dos imóveis anunciados na capital mineira, de 0,99%, superou a esperada para a inflação. Os maiores valores por metro quadrado foram registrados no Rio de Janeiro (R$ 10.214), em São Paulo (R$ 8.641) e no Distrito Federal (R$ 8.497).

O diretor da outlet de imóveis Realton, Rogerio Santos, ressalta que o comportamento dos preços depende dos volumes de estoques. “À medida que houver demanda pelos estoques, os preços deixarão de cair”, diz Santos.

O presidente do VivaReal no Brasil, Lucas Vargas, espera que os lançamentos previstos para a partir do fim do ano tenham preço pelo metro quadrado superior ao oferecido no mercado. “Não há como manter, nos lançamentos do fim de 2017, os preços que são praticados atualmente. Os custos de materiais e mão de obra aumentaram”, diz o presidente do Viva Real.

Por enquanto, os valores das unidades na planta ainda são balizados pelos dos estoques de unidades prontas. Para o diretor comercial do Imovelweb, Bruno Raposo, os preços dos imóveis devem manter, no primeiro trimestre, a estabilidade registrada desde meados de 2016 e começar a subir no segundo trimestre.

O presidente do Zap destaca que, quando a economia der sinais de melhora, as incorporadoras precisarão ter produtos disponíveis. “Boa parte das empresas já começou a se preparar para lançar, desenhando ou redefinindo projetos”, conta. Schaeffer diz que, nos últimos três meses, aumentou a procura por consultoria do Zap para lançamentos previstos para a partir do segundo semestre.

O VivaReal também tem recebido mais solicitações por parte de incorporadoras de serviços relacionados à inteligência de mercado, segundo Vargas.

Zylberstajn, da Fipe, afirma que a retomada do setor depende do aumento da confiança, do crédito e da renda. “Pelo menos, temos a expectativa de redução expressiva dos juros, neste ano, o que já ajuda bastante”, diz.

Em relação ao mercado de locação, espera-se que aumento de preços a partir de 2018. Por enquanto, a tendência para os preços de aluguel continua de queda, na avaliação de Vargas, com estabilidade a partir de meados do ano. Já o presidente do Zap acredita que os valores começarão a ser pressionados no segundo semestre.

A demanda por aluguel tende a aumentar, de acordo com Schaeffer, como resultado da modalidade ser alternativa para quem precisa de um imóvel e não pode fazer a aquisição e para “a nova geração, que quer mobilidade”. “Há um movimento de fundos internacionais vindo para o Brasil para comprar estoque de imóveis novos e usados para locação”, diz o presidente do Zap.

No entendimento do presidente da Lokkan, Edison Ferreira, os preços dos imóveis continuarão “bem atrativos, para compra e venda, quanto para locação”. “As incertezas no ambiente político podem prorrogar um pouco mais uma retomada do mercado, principalmente, em relação à compra e venda”, afirma Ferreira.

Este artigo foi originalmente publicado no Valor Econômico e pode ser acessado na íntegra pelo link: http://www.valor.com.br/empresas/4824938/precos-de-imoveis-vao-ter-mais-um-ano-de-queda-real